Artigo – A resposta da construção civil

Artigo – A resposta da construção civil

Poucos setores conseguem alavancar tão diretamente e de forma tão rápida a economia de um país quanto a construção civil. A correlação entre políticas de estímulo e bons resultados econômicos é direta, não faz curva. A construção civil é uma das indústrias mais interligadas, envolvendo a produção de materiais de construção, serviços de engenharia, transporte de cargas, entre outros. O aumento da atividade no setor impacta positivamente toda a cadeia produtiva.

O setor gerou no início deste ano mais empregos de carteira assinada do que qualquer outro segmento econômico. Foram 222.925 novas vagas somente de janeiro a agosto, o que corresponde a 16% de todos os empregos criados no País.

Isto tudo num cenário que tem sido muito desafiador para a construção. A taxa de juros ainda elevada e a demora para definição das condições do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV), geraram dificuldades. Tanto é que a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Construção para 2023 é de 1,5%. Bem aquém dos 6,9% de 2022.

Mas as perspectivas para o médio prazo são bem animadoras. O ciclo de redução da taxa de juros, iniciado em agosto pelo Banco Central, os investimentos previstos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), a decisão do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de aumentar em quase R$ 30 bilhões o orçamento para o financiamento habitacional e o aumento da previsão de recursos para o Minha Casa, Minha Vida certamente darão ainda mais fôlego para a construção civil.

Mas existem ainda desafios estruturais que são, na verdade, oportunidades para o crescimento do País. É o caso do saneamento básico. Além do evidente ganho para a saúde pública e cidadania, as regiões com infraestrutura de saneamento adequada experimentam um desenvolvimento econômico mais acelerado. O investimento anual do Brasil em expansão da rede de água e esgoto é de R$ 20 bilhões, sendo que, para chegar na meta de universalização dos serviços até 2033, o ideal seria de R$ 44,8 bilhões, segundo o Instituto Trata Brasil.

O acesso à água potável e a sistemas eficientes de tratamento de esgoto cria um ambiente propício para o desenvolvimento imobiliário. A valorização de áreas urbanas bem servidas por infraestrutura básica impulsiona a construção de novos empreendimentos, gerando um ciclo virtuoso para a economia. Outro desafio é facilitar o acesso ao crédito imobiliário, agilizando os processos de liberação de financiamento.

As políticas de estímulo ao setor imobiliário e à infraestrutura pública são um importante motor para o crescimento econômico brasileiro. Beneficiam toda a sociedade, gerando empregos, aquecendo a indústria e garantindo cidadania. É essencial que o governo e os agentes do setor continuem a trabalhar em conjunto para manter esse cenário promissor da construção civil, garantindo um futuro mais próspero para o Brasil.


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